Desilusão é quando nos damos conta de que um sonho bom que sonhamos acordados é tão enganoso como o sonho ruim que nos visita, vez ou outra, enquanto dormimos. É quando precisamos, mais despertos do que nunca, entrar em contato com a realidade. Olhá-la nos olhos, sem desviar o sentimento. Tocar a sua face e sentir a textura por vezes muito áspera da sua pele. Ouvir, com todo ouvido de que somos capazes, as coisas geralmente difíceis que tem pra nos contar. Depois, caminharmos lado a lado, ainda confusos, ainda doídos, mas começando a sentir, bem devagarinho, que há também uma espécie de alívio que somente ela oferece.
Não há como se viver sem se correr o risco da ilusão e da desilusão. Até onde eu sei, não inventaram nenhum medicamento preventivo. Para se iludir e para se desiludir basta estar vivo e ter expectativa. Quem quer pagar o preço de dançar com a vida, essa parceira de movimentos lindos e imprevistos, está exposto o tempo todo ao prazer e à dor enquanto baila no salão. Alguns, preferem permanecer sentados, olhando de longe, acompanhando com os pés e com o medo, solitariamente, o ritmo da música; acham mais seguro, embora a dor com as ardilezas dela chegue até eles mesmo assim. Outros, preferem levantar, dançar como sabem, dançar como podem, dançar com medo, e correr o risco de ser felizes também.
macia. De verdade.

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